Friday, June 23, 2006

Capítulo 1

- Eu não acredito!!! Olha quem está aqui!
O barulho tomou conta da rampa da igreja. Todos conversavam alegremente quando um rapaz alto, bronzeado e charmoso entrou. Depois disso, a alegria foi geral. Todos da turma falavam ao mesmo tempo. Cada um perguntava alguma coisa, todos correram para abraçá-lo. Fizeram muita festa ao revê-lo. Os introdutores e porteiros da igreja correram para ver o que era.
Alan estava de volta. Desde pequeno, morava em Ubatuba, porém, aos 14 anos, havia se mudado para a Polinésia. Morar lá, sempre tinha sido um sonho para ele e agarrou a oportunidade quando descobriu o concurso de surf dos sonhos e ganhou bolsa para continuar seus estudos lá.
Aos poucos, a euforia passou e pôde-se ouvir claramente o que cada um perguntava.
- Cara, como você tá mudado. Cresceu hein?! – disse Paulo, um de seus grandes amigos. Paulo era um rapaz alto e magro. Por onde passava, brincava com alguém e fazia questão de falar com todos, especialmente com os idosos. Todos os senhores da igreja o amavam.
- Pois é... pegar onda é melhor que malhar – disse Alan com um sorriso de lado. Tudo bem com vocês? Puxa, quantos anos! Passou rápido demais! Parece que foi ontem.
- E aí, cara? Conte tudo!, continuou Paulo.
- Ah... é muita coisa pra falar - Alan disse fingindo um cansaço exagerado. Só sei que tudo foi ótimo porque acabou como acabou. Seu eu não tivesse me acertado com Deus, provavelmente não estaria aqui agora. Deus me pegou de jeito, viu? Só por Ele mesmo. Mas... vamos sair com mais tempo, aí, eu posso contar cada detalhe.
Olhou para Luiza e deu uma risadinha.
- Hei, você está bem, hein?! Deu uma boa emagrecida...interessante – disse Alan sorrindo.
Luiza se lembrava bem dele de quando eram pequenos. Alan era uma praguinha e Luiza era gordinha e usava óculos.
"Só por que é bonito pensa que pode tirar uma com a minha cara...bota bonito nisso..."
Luiza começou a pensar e sonhar, mesmo se sentindo irritada com o comentário. Nem percebeu que com seus pensamentos, acabou não respondendo ao comentário de Alan.
- Olá...não vai responder, já te deixei atordoada? Alan respondeu falando baixinho, de uma maneira que apenas a garota ouvisse e provocando-a com sorrindo com ar de quem sabe o que está falando.
Luiza apenas deu um sorrisinho, como que dizendo: como você é sem graça. Alan se virou para o resto da turma e cumprimentando a todos, se despediu:
- Bom, galera! Só passei pra falar um oi rápido. Vou ficando por aqui. Acho que não fui bem-vindo para alguns...
Era claro que Alan estava brincando com Luiza. Sempre brigavam quando eram pequenos. Ao passar pela garota, falou só pra ela:
- Vê se se recompõe amanhã...
Luiza cedeu e sorriu de forma simpática, caindo na brincadeira.
Durante a tarde, Luiza se recordou de bons momentos de sua infância. Rever Alan a fez lembrar de antigas sensações. Chegou em casa, procurou pelos álbuns de fotos. Sorrindo, olhou para cada uma delas. Deu risada ao ver o vestido quadriculado que sua mãe usara na sua formatura do prézinho. Naquele ano, Luiza havia quebrado o braço quando brincava justamente com Alan. Na sua grande formatura, teve que ir de braço engessado.
Após uma hora vendo as fotos, viu que já estava na hora do culto da noite. Tomou banho e aguardou as amigas que passariam em sua casa para se arrumarem para o culto.

**********

- Eu tô falando sério!!! Como um cara pode ser tão cheio de si e tão maravilhoso ao mesmo tempo? – disse Luiza sentada em frente à penteadeira e passando rímel nos cílios. Seus olhos tinham uma cor de mel e sempre que passava rímel, seu olhar ficava bem realçado. Luiza se sentia atraente assim.
- Huuummm, parece que alguém tá começando a se apaixonar...., brincou Ana, sua amiga de cabelos lisos e curtinhos.
- Mas, fala verdade...ele não é assim?
- Ele pode até ser, mas para a gente, que não conheceu ele desde tão pequeno, o choque não é tão grande...eu me lembro dele com uns 13 ou 14 anos. É claro que ele ainda era menino, mas já estava maiorzinho.
- É, Lú...você tinha a imagem de um menino que brincava na rua com o boné de lado. Agora, depois de tanto tempo, ele aparece desse jeito – completou Claudia que também estava terminando de se arrumar, penteando seus longos cabelos.
Claudia tinha razão. Luiza se lembrou das fotos que vira no dia anterior à tarde, Alan era mesmo um menino quando se mudara para a Polinésia e, com 14 anos, mesmo já se desenvolvendo, Luiza ainda o via como criança.
- Bom...o papo tá bom, mas vamos nos apressar. A gente vai se atrasar para o culto - disse Ana que estava ajeitando o brinco que teimava em virar do lado contrário.
- Como sempre – disseram Luiza e Claudia ao mesmo tempo.

**********

Luíza estava vestida com sua calça jeans nova que ganhara de sua mãe, a camisa branca que sempre usava e uma jaqueta que a fazia se sentir bonita e moderna. Logo que saíram do carro, seu coração bateu mais forte. Lançou um olhar significativo para suas fiéis amigas que também estavam preocupadas com seus respectivos "peixes", prontas para lançar a rede.
Alan se aproximou delas sorrindo:
- E aí, meninas, tudo bem?
- Oi Alan. Tudo bem. Já se “achou” aqui na terra dos mortais? – perguntou Ana.
- Terra dos mortais? Essa é boa – respondeu Alan sorrindo. Tô me “achando” aos poucos. Tenho muita coisa pra arrumar ainda. Não mexi em nada. Até agora, só visitei parentes...
- Ahn...e...por acaso, você viu se o Paulo já chegou? Claudia estava apaixonada por Paulo, o baterista da igreja. E nem deu muita bola para o que Alan estava falando. Luiza deu risada da coragem da amiga.
- Já. O Edu e o Ricardo também já estão lá dentro – respondeu Alan rindo também e olhando para Luiza.
- Que ótimo, Claudia respondeu sem sentir vergonha por admitir que realmente queria encontrá-lo.
- E você Ana? Como estão as coisas entre você o Edu? Ainda amarradona nele, pelo jeito. Alan sorria enquanto falava e Luiza se sentia muito atraída por aquele sorriso
- Um dia eu chego lá – respondeu Claudia sorrindo.
- Então, quer dizer que só a Luiza vai ficar sozinha?
As meninas se olharam e como se falassem com os olhos, disfarçaram sorrindo e começaram a arrumar desculpas e sair de fininho.
“Não acredito nisso...tudo bem que queria ficar sozinha com ele, mas...bem agora! Que ridículo...a única por quem ninguém tem interesse”.
- Por que você não tá namorando? Nenhum cara consegue te agüentar ou você ainda tá esperando o príncipe aparecer?
- Há-há-há...como você é engraçado Alan. É claro que eu tô esperando pelo cara certo.
- E como seria esse cara certo?
- Hummm...ele teria que ser cavalheiro, gentil, com um sorriso maravilhoso, bronzeado, alto e um corpinho em forma... – respondeu Luiza brincando com Alan.
- É...esse cara se parece comigo – respondeu coçando levemente a cabeça.
Luiza dava risada em ver como Alan era convencido e pensou muito na resposta que daria ao rapaz. Queria ter coragem pra falar: “É...é exatamente alguém como você que eu queria”, contudo, resistiu. Afinal, não era o tipo de garota que se deixava levar por emoções.
- Deixa pra lá...não dá pra falar sério com você. Luiza estava chocada. O cara sabia quem era. Sabia do próprio charme. Por alguma razão, isso a atraiu mais ainda.
- Não vai entrar para o culto?
- Vou. Eu estava com saudade de tudo isso aqui, sabia?
- Eu duvido muito, por que não deve ter nada melhor do que morar na Polinésia.
- É bom, mas a gente sente falta de muita coisa.
Luiza ficou a pensar no que ele poderia ter sentido falta. Lá, provavelmente, ele teria de tudo, inclusive sucesso com as garotas e com os caras mais populares.
Caminharam em silêncio. Até cada um sentar em seu lugar. Para infelicidade de Luiza, Alan sentou do lado de Kelly.

5 Comments:

Blogger Amana said...

Olá!
Com as histórias maravilhosas da Robin, tb nos inspiramos a escrever uma história.
Tudo começou em um dia daqueles que queremos fazer qq coisa, menos trabalhar. Eu e minha amiga Daniella, começamos a escrever trechos da história. Eu escrevia um pouco e mandava pra ela, e ela fazia o mesmo. Mostramos para nossa amiga Déia, que começou a opinar tb.
Com certeza, vcs vão encontrar vários errinhos, coisas meio confusas, mas a gente vai melhorando. Se sintam à vontade para criticar e fazer sugestões, ok?
Bjos e Deus abençoe a todas!

Wednesday, June 28, 2006  
Anonymous Karine said...

olá!!!
estou amando a história!!! como vcs mesmas falaram, lembra bastante os livros da Robin, mas acho q eh isso q torna o livro de vcs tão especial!!!
Parabéns e q Deus dê cada vez mais inspiração a vcs!!!
beijinhossss

Thursday, June 29, 2006  
Blogger Vinícius Cannone said...

Estou começando a ler e gostando muito. Realmente tem o cheiro forte das estórias da Robin Jones Gun com uma ótica cristã brasileira.

Friday, January 29, 2010  
Blogger Vinícius Cannone said...

Aproveito pra fazewr a propaganda de um texto meu que também tem blog: http://viniciuscannone.blogspot.com/2009/10/vidas-separadas.html

Friday, January 29, 2010  
Blogger Vinícius Cannone said...

E para os orkutantes, o link da comunidade do texto no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95519320

Participem. Há tópicos e enquetes.

Friday, January 29, 2010  

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