Wednesday, June 28, 2006

Capítulo 2

Kelly era uma garota que, apesar de não ser linda, esbanjava sensualidade. Luiza sempre se sentia mal por sentir uma repulsa pela garota, porém, era impossível tentar se aproximar, pois quando chegava algum garoto por perto, Kelly mudava sua maneira de agir e de falar com Luiza.
O culto fora uma benção. Com algum esforço, Luiza conseguiu prestar atenção em cada palavra. Tinha sido difícil não tentar escutar as coisas que Kelly sussurrava no ouvido de Alan a todo minuto. Na oração final, se sentiu feliz em perceber que tinha dado prioridade para a palavra de Deus.
Quando o culto terminou, Luiza virou-se para ver se Alan estava por lá, mas se deparou com o casal abraçado. É...Kelly era rápida mesmo...
- Que droga, hein?! Resmungou para Claudia.
- Espera aí, Lú! Eu sou muito mais você! Cláudia sempre disposta a ajudar amiga respondeu.
- Lógico, você é minha amiga, né?!!!
- Não, essa menina não tem compromisso nenhum com o Senhor, e o Alan sabe muito bem disso.
- Sei, mas são essas que eles preferem.
- Não, não. Eles preferem só pra ficar brincando, mas tenho certeza de que o Alan não é um desses.
Luiza resolveu não dar muita bola ao assunto, já que conhecia bem o comportamento de Kelly e Alan parecia bem atencioso com todos a sua volta. Com isso, voltaram a conversar animadamente, descendo
as escadas da igreja.
- Ei duas, aonde vão tão felizes? Alan se aproximou delas.
- Nós estamos na casa do Senhor, quer lugar melhor para ficarmos alegres? Respondeu Claudia.
- Definitivamente, não. Vocês têm toda razão.
- E aí, Alan. Que história é essa de sentar no culto com a Kelly, esqueceu das velhas amigas é?
Luiza tentava esconder a risada. Sua amiga era muito cara-de-pau.
- Lógico que não, meninas. E exatamente por isso, estou aqui para convidá-las para sair agora.
- Bom, pra mim está ótimo, e para você Lú?
Antes que Luiza pudesse responder, o irmão de Claudia apareceu cheio de bíblias na mão pedindo ajuda a irmã para levá-las até a sala do departamento infantil. Claudia seguiu o irmão deixando Luiza sozinha com Alan.
- E aí? Você tá afim? Alan indagou.
- Vou sim. Respondeu um pouco seca, meio que tentando chamar a atenção do rapaz. Queria que ele percebesse e pedisse desculpas, e a abraçasse e...
- Que bom, a gente tem muita coisa para conversar, tenho que te contar tantas novidades. Alan respondeu sem notar as expectativas de Luiza. Mesmo assim, Luiza se sentiu mais animada com a perspectiva de conversar durante a noite com o rapaz.
Para a infelicidade de Luiza, Kelly apareceu.
- Oi, Lú!!!
- Oi!!!, respondeu tentando se mostrar tão empolgada quanto a outra garota.
- A galera vai ao Açaí, vamos?? Alan perguntou para Kelly, segurando a pontinha dos dedos da garota. Luiza lutou contra o ciúme. Não queria que isso transparecesse de jeito nenhum.
"Eu não acredito que isso vai acontecer comigo. Eu estava tão bem antes de você aparecer, Alan!"
- Eu A-DO-RO Açaí - disse Kelly, com um sorriso enorme.
- Que bom Kelly! Eu também vou. Quer ir no meu carro? Alan se ofereceu.
- Claro. Eu estava mesmo sem carona. Mas...como vou fazer pra voltar pra casa?
- Pode deixar que eu te levo - disse Ana, que tinha acabado de entrar na conversa.
Foram andando para os carros e Luiza quis ver a reação de Alan em relação à Kelly. Perguntou sarcasticamente:
- Ué, Alan, por que você não leva a Kelly de volta pra casa?
- Você acha que eu devo? Vou falar com ela. Espera um pouco aí. Alan andou em direção a Kelly e Luiza notou a alegria da moça quando o rapaz fez o convite.
"Ai, Luiza!!!! Eu não acredito que ele vai fazer isso! Por que eu não fico de boca fechada!!!"
Claudia se encostou em Luiza com uma cara de espanto:
- Eu não acredito que você fez isso!!!
- Mas como eu ia adivinhar que ele iria aceitar a sugestão?!?
- É...realmente, por essa eu não esperava
Depois de contar a história para Ana, chegaram à conclusão de que ele poderia estar fazendo charme.
Tudo correu bem durante a noite. De vez em quando, Alan olhava na direção de Luiza. Ele estava lindo, na opinião da garota, vestindo uma camisa florida e jeans meio surrado.
A semana passou rapidamente. Luiza estava muito atarefada com o trabalho. Naquela semana, suas crianças fizeram três apresentações de jazz, o que a deixou morta de cansaço.
- Alô? Oi Clau!
- Lu, o pessoal vai a um culto na casa do Edu e depois a gente tá a fim de uma pizza. Vamos?
- Claro. O Paulo vai?
- Of course, honey!! Por que você acha que já estou com quilos de creme no cabelo. Será que hoje ele vai me dar mais atenção? No domingo ele falou que.......
Ficaram conversando por meia hora, quando tiveram que desligar para se arrumar. O culto foi uma benção. Os meninos tocaram e Luiza sentiu o Espírito Santo bem presente. Após longas discussões em relação à pizzaria que deveriam ir, acabaram por escolher uma maravilhosa, bem agitada, mas aconchegante.
Alan estava com a expressão preocupada. Parecia que ninguém havia percebido. Luiza já estava conseguindo diferenciar suas feições.
- “Acho que é de tanto olhar pra ele” , pensou.
Luiza tinha observado que Alan estivera orando na hora do apelo. Kelly tinha ido até à frente e, mais uma vez, Luiza se sentiu enciumada.
- Tá tudo bem com você? Luiza tomou coragem e resolveu perguntar. Todos estavam na maior discussão, dessa vez, em relação a quantas pizzas iriam pedir.
- Tá – respondeu o rapaz. Luiza levantou a sobrancelha, como que dizendo “ah-han”. Alan deu risada. Não adiantava disfarçar. Luiza sabia que ele estava preocupado.
- Tá bom...eu estou preocupado com a Kelly.
- O que tem ela? Luiza perguntou num impulso.
- Vocês precisam ajudá-la. Ela tem passado por problemas familiares, por isso é tão carente. Ela precisa de amigas.
- Mas ela é tão...
- Eu sei, Lú, mas Deus tem me tocado muito em relação a essas pessoas. A gente precisa orar por elas. Deus tem colocado no meu coração um amor pelas pessoas. Eu sei o que é se sentir sozinho. A gente se agarra nas pessoas – Alan parou para tomar um gole de refrigerante. Ficou pensativo por alguns segundos, mas Luiza continuou virada para o garoto, querendo que ele continuasse.
- Na Polinésia, eu fiquei com muitas mulheres, mas não por amor, e sim, por necessidade de estar com alguém. Isso fazia com que eu me sentisse muito mal.
Luiza foi pra casa pensando no que ele falara, se sentindo culpada, triste e enciumada por ele dizer que já tinha ficado com muitas mulheres, mas o pior foi o tapa na cara. As meninas também se sentiram mal com isso. No outro dia, Luiza não se sentia melhor. Estava mal por saber que teria que ligar para a garota e se sentia pior quando percebia que se Alan não tivesse falado tudo aquilo para ela, não teria dado a mínima aos sentimentos de Kelly. Resolveu ligar para a garota.
- Alô? Bom dia. A Kelly está?
- Só um minuto. Kellyyyyy, telefone!!!
- Pode desligar aí embaixo, eu já atendi. Alô!!!
- Oi, Kelly, é a Luiza.
- Oi, Lú, o que está acontecendo para você me ligar? Perguntou a garota desconfiada.
- É, eu sei que é estranho, principalmente por nós não termos um contato mais próximo, só que eu reparo nas pessoas, e andei percebendo que você anda muito distante da igreja, quando está no culto parece que nada te toca, tá acontecendo alguma coisa? E o Alan me contou...
Inesperadamente, Luiza escutou Kelly chorar, como se ela tivesse tocado num assunto muito delicado.
- Desculpa Lú - deu uma pausa e continuou – sabe..., as coisas aqui em casa não andam muito bem, meu irmão anda aprontando coisas horríveis, nem parece aquele menino que a gente via louvando na igreja com tanto fervor. Minha mãe não está muito bem da saúde, então muitas das coisas que acontecem, eu evito contar para ela.
O pai de Kelly havia falecido quando ela tinha 5 anos desde então por ela ser mais velha, ficou com muitas responsabilidades.
- Com tanta coisa acontecendo, eu sinto como se Deus houvesse esquecido de mim, aqueles que eu pensava que eram meus amigos se afastaram, e não encontro mais conforto na igreja. Sabe, ninguém me ligou depois de eu ter ficado uns tempos sem ir aos cultos, onde estavam os que se diziam meus amigos, irmãos?
- Kelly, me desculpe, eu não sabia de nada disso que estava ocorrendo, e vou ser sincera, percebi sua ausência, mas não me importei, sempre te achei uma pessoa...sei lá..., a popular da igreja. Mas, agora, te ouvindo falar desse jeito, percebi que só era aparência, talvez fosse o seu modo de esconder os problemas que está passando, mas nesses últimos dias você não está conseguindo mais esconder sua tristeza.
- É, chega um momento que os problemas são tantos que você não tem mais força pra nada.
- Olha Kelly, eu só posso te dizer uma coisa: Deus nunca se esqueceu de você, pelo contrário, ele cuida de você dia e noite, mesmo que, para você, isso pareça não estar acontecendo. Não deixe que esses problemas façam você se afastar de Deus, Ele é a tua força. Ele é fiel, e se você orar entregando seus problemas, Ele fará o resto, pode ter a certeza disso. É difícil? É, mas Ele é a nossa única esperança. Não tente fazer as coisas com suas mãos. Deus é quem vai te encaminhar e direcionar sua vida.
- Lú, muito obrigada, eu precisava ouvir uma palavra assim, muito obrigada mesmo.
- Para isso que são seus irmãos em Cristo. Aproveitando a ligação, amanhã é o aniversário do Edu, tá a fim de ir?
- Eu não sei, sabe...eu acho que esse pessoal não vai muito com a minha cara.
- Quando eles te conhecerem realmente, eles vão te amar, e eu vou estar lá. Quer melhor companhia?
- Há, você é modesta, hein? Tá OK, você passa aqui?
- Tá certo, beijos!!!
- Beijo.
Luiza se espreguiçou e levantou para tomar café muito feliz. Enquanto se trocava, falava com Deus:
- "Senhor me perdoe por ter tirado conclusões antecipadas, agora vou me dedicar em orar pela Kelly e sua família".

Mais tarde, Ana chegou na casa de Luiza. Iriam se arrumar juntas para o aniversário de Edu.
- Pois é, Ana, então foi isso. Ela é muito bacana. Acho que quando ela se envolver mais com a gente, vai deixar o Alan sossegado.
- Ê...interesse.....
- Tô brincando. Gostei muito dela. Acho que ela se encaixaria perfeitamente no nosso grupinho. Sempre cabe mais uma.
- Liga pra Clau vir pegar a gente aqui. Não vou poder ir de carro. Falei para Kelly que poderia, mas não vai dar. A gente passa na casa dela depois, ok?
- Ok. Enquanto ia pegar o telefone, Ana se desesperava: - Meu Senhor, me ajude!!! Que roupa eu ponho? My God!!!! Esse Edu me deixa louca!!!!!
- Iuhuuuuuuuuuuuu, hoje vocês se resolvem!!!! Luiza estava empolgadíssima por ela e pela amiga. Ficaram rindo e se arrumando até ouvirem a buzina de Clau, que não agüentou esperar e subiu para ver como elas estavam.
- Tcharammmm!!!! Como estou? Disse Claudia em um salto, entrando no quarto.
- Que arraso. O que você fez no cabelo?
- Gostou? Eu passei uns cremes que eu inventei. Ficou legal né?
- É...parece que tá mais claro!
- Acho que foi o ovo com a camomila.
- Credo!
- Como será que tá o cabelo da Mel? Ela ia enrolar.
- Deve estar lindo. Ela já tem um jeito meio exótico. Com o cabelo frisado, deve estar show!
Mel era uma garota que havia chegado na igreja uns anos atrás. Era extremamente linda. Sua pele era morena, bronzeada, seus cabelos eram negros e compridos. Quando deixava enrolado, parecia que tinha secado ao sol. Ficava lindo.
- Vocês querem parar de ficar falando assim? Tá todo mundo se empetecando para fisgar os meninos... Luiza reclamou.
- Ué? Só por que você está louca de paixão pelo Alan, a gente não pode mais sonhar é?
- Quem sabe hoje ele não te olha daquele jeito que olhou na pizzaria de novo? Claudia a provocou.
Luiza congelou por um segundo relembrando aquele olhar fixo nos seus. Queria desesperadamente conversar com ele, sentir seu cheiro, olhar aquele sorriso.

2 Comments:

Blogger Amana said...

Ah! Não liguem não se acharem mta imitação da Robin, tá? É claro que não dá pra comparar, mas...
Bjo

Wednesday, June 28, 2006  
Blogger Vinícius Cannone said...

Está muito interessante e muito espiritual. Antes de chegar à parte em que Luiza decide orar pela Kelly, eu fui tocado pelo Espírito Santo e orei por pessoas que tenho esquecido de orar. Espero lembrar de mais outras. Quando cada um de nós sai de seu mundinho interior, descobre o vasto mundo espiritual. Muito bom. Mesmo que tenha a inspiração da Robin, você tem seu próprio estilo. Parabéns.

Friday, January 29, 2010  

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