Wednesday, June 28, 2006

Capítulo 3

"Muitas felicidades, muitos anos de vida...".

- Eu não acredito que ele não veio - Luiza cochichou para Mel
- O Ri disse que ele foi à casa dos avós, é aniversário do avô dele. E também... o pai dele está trabalhando, ele tinha que levar a mãe... – disse Mel que estava realmente linda e feliz por ter conversado bastante com o amado.
- Eu não acredito, eu me preparo toda, e ele não aparece – resmungou Luiza decepcionada.
- Ei, minha amiga, é o níver do avô, dá um tempo, né! Até parece que você não vai mais vê-lo – Claudia defendeu o rapaz.
- Ah, Clau, depois de anos sem vê-lo, agora eu quero poder apreciá-lo todos os dias, disse Luiza com voz de choro.
- É, na realidade eu estou passando pela mesma situação, cada vez que eu vejo o Paulo, não agüento, tenho que chamar a atenção dele de alguma forma.
- È, mas você está exagerando Clau, não precisava ligar para casa dele quando chegou aqui, para confirmar se ele vinha mesmo – disse Mel.
- Eu não acredito que você fez isso, Clau! E depois fala de mim...- disse Luiza rindo. Embora tivesse achado graça, Luiza se preocupava com a amiga. Sabia que nenhum rapaz conseguia suportar mulheres muito melosas.
- Ai, gente, como vocês são...eu liguei mesmo...Bom, o papo tá bom, mas eu tenho que ficar de olho nele.
As duas garotas ficaram olhando a amiga se distanciar e se encostar no Paulo. Cláudia era muito teimosa, ás vezes, não gostava que as amigas fossem contra sua opinião.
- Ai, ai, desse jeito o Paulo não vai querer nada com ela. – disse Mel.
- É, mas você sabe, não adianta falar, né?! – concordou Luiza.

No sábado de manhã, Luiza foi para igreja ensaiar com o grupo de dança que ela fazia parte. Quando entrou no templo, Alan estava lá, lindo como sempre, estava tocando violão e cantando.
- "Como você tá lindo, e cantando então, é tudo..."
Conforme se aproximava, pôde ouvir o que ele cantava:

"Te conhecer e prosseguir em Te conhecer
Esse é o alvo da minha vida, Senhor”

- Oi! - Alan parou de cantar enquanto cumprimentava Luiza, porém, não parou de dedilhar a música no violão.
- Ah, desculpe, oi, pode continuar estava lindo.
- Essa música me lembra quando estive na Polinésia e como o Senhor me tratou lá, no meio de tanta bagunça, tantas festas, bebidas, Ele foi lá e me tocou, mostrou que aquilo tudo um dia acaba, mas o amor e a fidelidade Dele permanecem para sempre.
- É...essa música é bem bonita. Que bom que Deus te tratou por lá. Tudo tem um propósito e uma hora certa, né? Nós vamos dançar este louvor amanhã no culto junto com o grupo de louvor.
- É mesmo? Não vou perder. Ficaram sorrindo um para o outro até Luiza se sentir quente e vermelha.
- Tá certo, eu tenho que ir para o ensaio, a gente se vê por aí.- Luiza ia caminhando quando de repente se virou - E falando da Polinésia, acho que a gente tem que marcar um dia para você me contar suas aventuras por lá.
- É mesmo, vou esperar seu ensaio terminar, assim eu te levo pra casa e conto um pouco das minhas emoções na “terra dos sonhos”.
O rapaz continuou tocando e cantando, Luiza não conseguiu esconder sua felicidade:
- "Eu não acredito que eu tive coragem, foi bom demais, obrigada Senhor!!!”
Luiza ensaiou bastante com as amigas, e pensar no quanto estava descabelada e cansada a fez querer ir embora de fininho, sem querer ser vista por Alan.
- "Que legal....ele vai me levar pra casa justo agora que eu tô toda suada....e se ele quiser me abraçar..."
Ao sair, tentou passar despercebida pelo corredor, mas Alan a viu.
- Luiza, vamos?
- Ahn...é...hum...vamos. Cadê seu carro?
- Tá ali na esquina. Espera aqui que eu te pego na porta.
Alan tinha um Pálio vermelho super bonito. Enquanto esteve na Polinésia, ganhou uma grana legal para comprar suas coisas. De repente, Luiza teve vontade de chorar. Não entendeu por que, mas ficar ao lado dele, provocava nela sensações diferentes. Ele era tão bonito e estava sendo tão atencioso com ela...
- Entra aí. O carro estava com um cheirinho gostoso de pêssego. Reparou em um sachezinho com esse aroma e pensou que deveria comprar um igual para por em seu carro.
- A Kelly me contou que você ligou pra ela.
- É...eu estava errada em relação a ela. Foi só eu ligar e enturmá-la que ela já pareceu outra. Nem está mais....
- Dando em cima de todo mundo... Alan começou a rir e Luiza reparou em como ele conseguia ver tudo o que se passava na mente dela. Ela cedeu e começou a rir também.
- Você deveria se chamar Luz. A Luz de Deus brilha em você, sabia? Alan disse sem olhar para a garota.
Após alguns segundos, o rapaz fitou-a e sorriu. Ainda bem! Luiza não sabia mais o que fazer. Não sabia se sorria, se retribuía o comentário, se ficava séria como Alan...
Estava se sentindo imensamente feliz. Como era gostoso estar com ele. Tudo parecia mais alegre.
- Você sabia que o nome "Alan" reflete uma pessoa que prefere exibir sua simpatia para cativar todo mundo que o rodeia? Luiza criou coragem para dizer o que havia achado na Internet durante a semana. Na verdade, Luiza havia perdido bastante tempo procurando por aquela informação.
- Como você sabe?
- Andei pesquisando – Criou mais coragem ainda para admitir o fato, mesmo se arrependendo a cada palavra que falava. Acho que endoidei de vez!
- Ahn...anda pesquisando sobre mim? Está se apaixonando?
Luiza sentiu o vermelho tomar conta de seu rosto...
- É claro que não. Impossível.
- E por que é impossível? Estavam parados em um semáforo, então, Alan se ajeitou no banco e se virou para a garota.
- É...por que....er...eu gosto de outra pessoa.
- “Oh não! Eu não fiz isso!”
Alan se virou lentamente para frente, mas Luiza percebeu que ele sorriu enquanto fazia isso.
Seguiram o caminho até a casa de Luiza em silêncio. Quando Alan parou o carro, Luiza agradeceu e saiu ainda sem jeito. Ao sair, se enroscou no cinto de segurança e pummmm......caiu amarrada pelos pés e com as mãos no chão.

**********

- Mãe, eu não acredito que isso foi acontecer. Só comigo, só comigo... e ainda por cima não conversamos sobre a Polinésia, o que, por um lado, é muito bom, porque vou ter que sair com ele outra vez para essa conversa acontecer
A mãe deu risada, porém, estava correndo e não pôde conversar mais com a filha.
- Lú, hoje eu e seu pai teremos uma confraternização da empresa. Não deu tempo de preparar nada pra comer. Você faz alguma coisa? Está tudo bem? Quer que eu fique?
- Não, mãe. É claro que está tudo bem. Já coloquei um band-aid no machucado e, acredite...ele não está doendo tanto quando meu coração, gracejou Luiza - pode ir sossegada, mãe.
- Seu irmão vai dormir na casa da namorada, pois amanhã cedo, vão fazer evangelismo na cidadezinha que eu esqueci o nome.
- Que legal!! Luiza respondeu pelas duas coisas. Uma porque amava fazer evangelismo e ficou feliz pelo irmão. Outra, porque amava ficar sozinha em casa. Tomou um banho, fez um lanche e começou a pensar no que tinha acontecido, ou melhor, continuou a pensar sobre o que tinha acontecido. Todas as cenas daquele dia não saiam de sua cabeça.
- "Senhor, foi tudo tão perfeito hoje! É claro que minha boca poderia ter ficado fechada e meus pés poderiam não ter se enroscado, mas...ele é tão...tão...tão lindo, simpático, atencioso...”
Conversou durante muito tempo com o Senhor, principalmente para pedir que Alan não tivesse acreditado no que tinha dito sobre gostar de outra pessoa. Só parou de orar quando a campainha tocou. Era Ana.

**********

- Oi, Ana, que surpresa, você não avisou que ia passar por aqui.
- É, eu estou voltando da casa do Edu.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, que demais!!! Me conte tudo, faz tempo que a gente não pára para conversar, fala, fala, fala...
- Oh, como você é empolgada. Mas, eu estou tão feliz, Deus é tão bom! Você é a única que sabe, como eu orei. Foram exatamente dois anoooooooos de oração. Lembra? Eu falava: "Ele nunca vai me dar atenção", até que você me disse para entregar nas mãos do Senhor, e olha o que aconteceu, eu estou namorando com ele.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh, eu não acredito. Quando começou? No dia da festa dele? Eu nem dei atenção para vocês, estava preocupada com outra coisa.
- É, depois que todos foram embora, eu fiquei para ajudar a mãe dele e a irmã, quando fui perceber já era bem tarde, então ele disse que me levava, fomos para o carro, e conversando durante todo o caminho, até que ele me perguntou como andava o meu coração! Dá pra acreditar?!
- Ai, Papai, e você???
- Ah, Lú, depois de tanto tempo esperando por este momento, só pedi sabedoria para o Senhor nas minhas palavras e falei a verdade, contei tudo.
- Ah, sério??? Tudo???
- Falei que estava orando por uma pessoa já fazia dois anos, que eu não agüentava mais, pois eu não via resposta, esta pessoa parecia não dar muita atenção para mim, e já estava a ponto de desistir.
- Claro, contou tudo, menos o nome da pessoa....grande coisa...
- Pera aí, eu não terminei a história. Ele parou o carro, virou pra mim e disse, "Engraçado, comigo está acontecendo a mesma coisa, só tem uma diferença, comigo já são dois anos e meio de oração".
- Meu Deus, e aí???
- Ele foi o melhor, escuta só! Não, ele foi show! Começou a tocar aquela música que a gente ama...
- I promise you - as duas disseram
- Exatamente. Aí, eu falei: “É...nem sempre as coisas são do jeito que a gente quer, e sim do jeito do nosso Pai quer”. Então ele falou: "e eu acho que agora Ele quer isso" ele virou o meu rosto de frente com o dele e me deu “o” beijo.
Luiza ficou muda. Não tinha palavras. Que perfeito!
- Não, você não deve estar falando do Dú. Ele teve coragem, quem diria?! Realmente só o Alan é lerdo.
- Ah, foi um sonho, né?! Ele disse que a pessoa da oração era eu, e que antes da festa dele, ele havia pedido para o Senhor para eu ficar por último na festa, assim ele saberia que deveria falar comigo. Diz aí, senão é um presente de Deus?
- Aí, Aninha, foi lindo, me deu até saudade do Alan, e olha que não tenho nada com ele.
- Eu só te digo uma coisa, "É só esperar acontecer, é só continuar..."
As duas ficaram conversando e sonhando o restante do dia...
As semanas seguintes passaram rapidamente e sem acontecimentos marcantes.

**********
- Kelly, espera! Luiza gritou, enquanto a amiga saía apressada para pegar o ônibus.
- Ufa! Por pouco eu entro naquele ônibus.
- Estou indo trabalhar, você não quer que eu te dê uma carona até a escola?
- Claro. Estou super atrasada.
- Entra aí.
- Você foi ao culto ontem? Kelly perguntou enquanto entrava no carro.
- Não. Tive que ficar em casa arrumando algumas coisas.
- Então você não sabe que vamos ter acampamento daqui a três sábados.
- Sério?! Que beleza! Luiza amava os acampamentos da igreja.
- Vai dar pra você aproveitar bastante e ficar mais próxima do Alan.
As duas amigas já tinham conversado a respeito e, com as novas amizades de Kelly, ela tinha se transformado e se apegado mais a Deus. Agora, Kelly era outra pessoa e estava começando a gostar de Jeferson, o guitarrista do grupo de louvor.
- Que maravilha! Faz um tempão que eu não converso direito com ele. Dá um desânimo... Você vai, né?
Os olhos de Kelly se encheram de lágrimas e Luiza temeu pelo que pudesse ouvir.
- Acho que não vou poder. Minha mãe ainda não está bem, meu irmão piora a cada dia e eu não tenho muita grana.
- A gente precisa começar uma campanha em favor da sua mãe e do seu irmão. Quanto á grana, nós damos um jeito. Deus vai abençoar sua família até o acampamento. Você vai ver.
Deixou Kelly na faculdade e já começou a bolar planos e sonhos maravilhosos para esse acampamento.

**********

Finalmente o grande dia chegou: o acampamento. Todos estavam ansiosos pelo o que viria acontecer: festas, brincadeiras, jogos e acima de tudo, um grande mover do Espírito.
Luiza chegou com Kelly. Alguém que não quis de identificar havia pagado o acampamento para ela. As duas chegaram conversando e se encontraram com o restante da turma. O mais novo casal Ana e Edú, estava encostado no murinho da Igreja.
- Oi, gente!!! Estou tão ansiosa para este acampamento.
- Não só você, Luiza, mas todos nós - disse Ana.
- E então, cadê o pessoal?? – perguntou Kelly.
- Quem exatamente você está procurando? O Jeff? - todos deram uma risadinha.
- Até parece que sabe de alguma coisa... – disse Kelly sorrindo, mas bem preocupada, com medo de que o garoto contasse para Jeff.
- Pode ficar tranqüila. Não se preocupe, não vou fazer nada de errado. - Ei, Jeff, tem alguém te procurando!!! Edú fingiu que Jeff estava se aproximando. Kelly não sabia onde enfiar a cara, sua vergonha era tanta e por ser branquinha não teve como disfarçar, ficou vermelhinha.
- Dú, para com isso!!! - disse Ana.
- Só vocês... – disse Luiza rindo dos amigos.
- Não pensa que você vai escapar, viu? Se prepare porque o Alan já está chegando.
- Você anda muito bem informado, hein? Quem será que andou te contando tudo? Não é, Aninha?!
Edu estava todo empolgado e, pelo visto, Ana estava disseminando bem as notícias.
- Você sabe, ele fica me perguntando, não tem jeito.
- Sei.
A essa altura, Luiza nem estava prestando tanta atenção. Queria reparar no momento em que Alan chegasse.
Todos entraram nos ônibus, e Luiza estava preocupada, pois não havia nem sinal do Alan.
“Onde está você, hein?! Será possível que você não pode me dar essa alegria de ir ao acampamento?”
- Me espera aí.... Luiza ouviu o rapaz gritando e virando a esquina correndo. Seu carro havia pifado de manhã e ele teve que pegar um ônibus com todas as malas. O rapaz estava deslumbrante. As pontas do cabelo estavam molhadas de tanto correr. Mascava um Trident de hortelã e aquele cheirinho acabou com Luiza quando ele a cumprimentou.
- Assustou? Achou que eu não viria?
- Engraçadinho. Você sabe que seria um alívio pra mim se você não viesse.
Alan a olhou sorrindo e passou reto pelo corredor, cumprimentando todo o pessoal. Ouviu o garoto parar para conversar com Jeff.
"Bem que ele podia sentar aqui. Poderíamos...".
- Kelly, boas notícias pra você. Alan voltara ao lugar onde Luiza estava sentada. O Jeff tá doido pra falar com você. Senta lá com ele, vai. Eu faço companhia para a senhorita Luiza.
- Sério, Alan? O que ele quer? Kelly estava radiante.
- O que você acha?
Kelly saiu e Alan se sentou, olhando seriamente para Luiza. Como ele era bonito. Conseguia a atrair completamente.
Luiza estava de jeans e blusa de moleton branca. Estava friozinho. É claro que todos os homens estavam de bermuda e camiseta. Os próximos dias prometiam ser bem quentes.
- Bom, pode me perguntar o que você quiser sobre a Polinésia. Eu respondo.
- Por que você acha que eu quero tanto saber sobre essas coisas? Acho que você é que quer contar e me fazer vontade.
- Você é durona mesmo, hein?! Ele sorria. Cruzou o braço e a olhou, como que esperando a primeira pergunta. Luiza não resistiu.
- Como era seu dia lá? O que você fazia a cada hora?
- Você faz eu me sentir especial, sabia? Olha a pergunta que você faz! Sem querer brincar, todo mundo me pergunta se eu zoei muito morando sozinho, com quantas eu fiquei, quantos prêmios ganhei... você dá mais importância aos detalhes da minha vida. E depois que eu responder, também vou querer os detalhes da sua.
Luiza gostou do elogio, embora estivesse morrendo de vontade de fazer aquelas mesmas perguntas.
- Eu acordava cedo. Embora estivesse bem longe dos caminhos do Senhor, eu ia até a praia de manhã. Tentava conversar com Ele. Falava algumas coisas poucas e, às vezes, até cantava algum corinho. De lá, eu tomava café em uma espécie de padaria. Todo dia eu ia lá sozinho.
- Imagino como você se sentia...
- Depois disso, eu ia treinar para as competições nos finais de semana. Quer mais detalhe? À noite eu ia pra casa, tomava banho, ficava no sofá vendo televisão e saia pra balada.
- Você conversava com Deus? Devia se sentir mal por pecar. Luiza queria saber os detalhes mais “quentes”. É claro que estava amando aquela conversa, mas precisava saber sobre a vida sentimental de Alan. Tentou se contar, mas não conseguiu.
- Não se apaixonou por ninguém?
Alan deu uma risadinha, como que dizendo: “eu sabia que você perguntaria”
- Mais ou menos. Não foi paixão não. Foi atração. A Keny foi a que mais durou. Gostava dela. Ela me escutava.
- Deve ter sido vazia sua vida lá.
- E foi. Até que Deus me pegou de jeito. Eu estava na praia e de repente, me senti tão vazio, comecei chorar como criança. Sabia que era Deus. Fui correndo pra uma igrejinha próxima e acertei toda minha vida. Foi ótimo. Aí, resolvi vir para o Brasil.
- Você pensa em voltar pra lá?
- Não sei. Talvez.
Por alguns minutos, os dois ficaram em silêncio. Alan estava com o corpo virado para Luiza e olhava pela janela. Ao virar para a janela a fim de verificar o que Alan estava olhando, percebeu que ele a olhava pelo reflexo do vidro. Retribuiu o olhar. Se olhando pelo vidro, Alan perguntou sobre sua vida. Só aí, que Luiza, penosamente se virou para responder.
Aqueles olhares tinham sido incríveis! Luiza sabia que nunca se esqueceria daquele momento. Tinha sido romântico e provocante ao mesmo tempo!
- Bom, respondeu se recompondo, comigo creio que foi bem diferente, me aproximei muito mais do Senhor neste tempo em que você esteve fora. Você se lembra que no dia em que foi embora e eu estava viajando com minha família?
- Lógico! Você tentou ligar em casa para se despedir.
- Então, quando eu saí deste curso, eu quase sofri um acidente, foi quando eu tive a certeza, que o meu Deus opera maravilhas em nossas vidas, eu não sofri nenhum arranhão, você precisava ver o estado em que ficou meu carro.
- Ah, por isso que você tá com outro carro agora?
- É, exatamente. A partir deste momento, entreguei a minha vida totalmente ao Senhor, entrei na dança, é uma coisa que eu amo fazer, você sabe muito bem disso.
- Claro que sei. Desde pequena você faz balé e jazz, não é isso?
- É isso mesmo. Pois então, eu encontrei uma atividade na Igreja que é a minha cara, e o melhor de tudo, é para o Senhor.
Alan virou-se novamente para a janela e disse:
- Sabe, a gente conversando deste jeito, me fez parar para pensar, o quanto a gente se conhece. Desde pequenos, nós brincamos e brigamos muito, mas a nossa amizade permaneceu.
Voltou-se para Luiza
- Luz, você é muito especial para mim, neste tempo em que eu estive fora, muitas vezes sentia falta de alguém para conversar, agora eu percebi, que era de uma amiga como você que eu precisava.
Deu um lindo sorriso e voltou a olhar para janela.
"Uma amiga!!! Será que ele só pensa isso sobre mim, apenas amizade? Ah, Deus, eu não agüento, ele aqui do meu lado, todo bronzeado, atencioso, cheiroso, esse sorriso que só ele tem, e eu sou apenas uma amiga, ele não sente nada mais por mim? Pai, Tu sabes o desejo do meu coração, eu quero muito mais que uma simples amizade, eu quero tê-lo ao meu lado para poder abraçá-lo, sairmos juntos, mas Deus, eu sei que Tu sabes de todas as coisas, me perdoe, por estar sendo chata deste jeito".
Encostou-se no assento e fechou os olhos.

2 Comments:

Anonymous erika said...

Magnifico! Excelente! Ctza q esse eh um dos melhores livros que eu li na net, isso se não é o melhor! To amando!!
Poste, logo viu?

beijoos

Sunday, July 09, 2006  
Blogger Vinícius Cannone said...

Assim como os textos da Robin este tem um suspense romântico. Esta última frase, falando de amizade então tem tudo a ver. Está muito interessante.

Sunday, January 31, 2010  

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