Monday, July 03, 2006

Capítulo 4

- O quarto das meninas é pra que lado?
- Hahahahahahaha
- Vamos logo pra pegar uma cama melhor.
Luiza acordou ouvindo pessoas gritando e correndo animadas. Alan não estava mais ao seu lado e isso a fez sentir mal. Por que ele não a teria acordado? As meninas estavam correndo pra pegar cama umas perto das outras. Estava chateada e com mau humor por ninguém tê-la acordado.
- Por que vocês não me chamaram? Falou se esforçando para jogar a mala pesada em cima da cama.
- Não chamar??
- Só faltamos pular em cima de você, Luz!
- Podemos te chamar assim?
- Ou é um apelidinho só seu e do Alan?
As meninas a cercaram e riam brincando com ela.
- Vocês ficaram ouvindo tudo? E agora, pra quem eu vou contar?
Começaram a dar risada, cada uma contando como tinha sido a viagem. Cada uma com seu pombinho. Kelly estava bem. Para Luiza, era bom vê-la dessa forma. Era uma pessoa legal, magra de cabelos lisos castanhos claro. Não era maravilhosa, mas tinha seu charme. Mais uma vez, Luiza pensou em como julgava as pessoas, sem conhecê-las. Mais uma vez, pediu perdão ao Senhor.
Desceram para tomar o chá, mas nada de mais aconteceu. Todos os jovens conversavam e riam bastante.
O dia seguinte estava ensolarado. E logo de manhã já estava calor o suficiente para colocar shorts e chinelo.
- Olha o Sol!!! Meninas. Booomm Diiiiiaaa!!!!!!
- Claudia, pelo amor de Deus!!!!
- Gente, vamos levantar. O dia está perfeito. Os meninos vão colocar bermudas e vamos poder ficar olhando para as pernas deles, brincou Claudia. Deu bobeira. Começaram a rir e falar bobeira descontroladamente. Falavam besteira atrás de besteira. Tomaram seus cafés e foram para a capela, onde o líder dos jovens já estava separando os grupos de estudo. Iriam falar sobre amizades, e nesse assunto as meninas eram craques. Luiza não estava no grupo de Alan nem no das suas amigas, mas no fundo, gostou, por que acabou conhecendo mais pessoas legais. No final, o líder pediu para cada um resumir o que seu grupo tinha conversado. Cada um foi na frente e disse as conclusões. Ela não foi representar seu grupo. Kelly foi à frente e a fez chorar, não só a ela, mas como a todas as meninas.
- Amizade é o que vocês me dão todos os dias. Amizade é levar alguém a voltar para os braços do Senhor. Eu não tinha ninguém, mas Deus me deu amigas que me abraçaram e acolheram de uma maneira maravilhosa. Vocês não têm idéia da diferença que isso fez na minha vida. Eu amo a todos vocês e sempre abençoarei a cada um. Foi para isso que Deus nos fez.
Alan, que estava sentado na mesma fileira que Luiza, olhou para ela e deu uma piscadinha.
Até a hora do almoço, ficaram sentados em volta da piscina cantando músicas antigas, estava ótimo. Luiza estava ansiosa pela hora das gincanas.

**********
- Ai, ai, gente, acho que cansei, a gente brincou muito.
- Ah, Ana, dá um tempo, a gente ainda vai pular na piscina.
- Que isso, Lú, tá mudando o tempo!
- E desde quando nós nos importamos com isso?
- Mas é que...
Nem a deixaram terminar de falar, foram arrastando-a para piscina.
- Então, vamos lá, 1, 2 e 3 - gritou Luiza e todas caíram na piscina - Ok, agora vamos brincar?
- De quê, hein?
- Já sei! Vamos brincar de pular na piscina com coreografia – gritou Mel empolgada.
Todos riram, pois já conheciam bem essa brincadeira. Os grupos saiam da piscina, faziam uma coreografia ou uma posição qualquer e saltavam todos juntos fazendo palhaçadas. Até parecia bobeira, mas a brincadeira era engraçada. A criatividade rolava solta.
- Beleza, Mel, então...
Nem bem Cláudia terminou de falar, alguém pulou em sua frente, espalhando água na cara de todas as meninas.
- Aiiiiiiiiiii, quem foi? Só podia ser você, Paulo - disse Cláudia.
- Que foi, ficou brava? - e jogou mais água na garota.
Os meninos estavam voltando do futebol, e resolveram cair na piscina também. Luiza ficou mais animada. Brincar com o Alan na piscina lhe parecia uma atividade muito “interessante”. Além de estar perto do garoto, na piscina, Luiza se sentia bonita, com os cabelos molhados.
- Nós vamos começar a brincar, estão a fim? – Luiza perguntou.
- Vão brincar do quê? - perguntou Jeff, já se posicionando ao lado de Kelly.
- Aquela de sair da piscina e imitar alguma coisa, dando um nome.
- Tá certo, vamos lá. Meninos contra meninas? - perguntou Alan.
- Não! - interferiu rapidamente Ana - Como estamos em dez, vamos misturar. Obviamente, Ana queria ficar ao lado de Edu, agora, seu namorado.
- Com certeza. Nada de me separar da minha gatinha – contestou Edu – então faz o seguinte: eu, a Aninha, o Paulo, Mel e Alan formaremos a equipe vendedora. Lú, Cláu, Ricardo, Kelly e o Jeff fazem a outra equipe.
- Você é que pensa, Dú. Você sabe que de coreografia eu manjo bem, não é? Pode deixar que nossos saltos vão deixar vocês de boca aberta – Luiza reivindicou.
- Não esqueçam que depois tem que ter nota – lembrou Claudia.
Deram muita risada a cada salto. Alguns deles, eram tão horríveis que acabavam merecendo nota dez. Brincaram muito até escurecer, e perceberem que como as pessoas já estavam descendo arrumadas dos quartos, os chuveiros já poderiam estar livres.
- Gente, eu e a Ana vamos subindo. Alguém vai também? – disse Edu.
- Eu vou aproveitar, já que o pessoal já está descendo para o jantar. - disse Kelly.
- Eu vou com vocês também. - falou Jefferson, aproveitando que a Kelly estava subindo.
- Eu também já vou... Tá esfriando. – disse Claudia saindo da piscina.
- Larga de ser mole menina, aqui na água está tão quentinho – disse Paulo.
- Tá quentinho de tanto xixi que você deve ter feito na água.
- Huuuuuuuuuuuuuuuu - gritaram todos que tinham ficado na piscina.
Paulo saiu da piscina e correu atrás de Claudia.
- Esses dois são como cão e gato, mas um não vive sem o outro – comentou Ricardo.
- Como você sabe Ri? - perguntou Mel, já atenta para a resposta.
- Ah, vocês não percebem que a Cláu dá em cima dele o tempo todo.
- E ele nem gosta, né?!! – provocou Luiza.
- É, mas pelo modo que você falou, é sinal que sabe de algo mais nessa história, não?
- Não, só estou dizendo...quer dizer...eu só acho que ela é a fim dele - respondeu Ricardo percebendo que havia deixado uma brecha.
- Gente, o papo tá bom, mas gente tem que tomar banho. - disse Alan vendo que o amigo tinha dado mole e percebendo que as meninas não o deixariam sair da piscina sem uma explicação. Como realmente estava ficando frio e já passava da hora de tomar banho, resolveram deixar esse assunto para uma outra hora. Subiram todos para os quartos. As meninas já estavam planejando o que iriam fazer para descobrir o que o Paulo sentia pela Cláudia.
- O negócio vai ser catar ele de um jeito natural - disse Luiza pensativa
- Como assim? Claudia estava louca pra saber o que estava rolando.
- É mesmo, Clau. Não adianta a gente ficar bolando planos infalíveis, iguais aos do Cebolinha. A gente tem que chegar junto e como quem não quer nada, começar a tirar as coisas dele. O Ricardo vai acabar falando, vocês vão ver.
- E se ele não falar nada, os bocoiós dos outros meninos acabam entregando....hahaha....esses meninos se acham tão espertos...
- O que vocês estão pensando fazer? Ana estava terminando de secar seu cabelo. Hoje iria dirigir o louvor – eu não posso fazer nada, pois vou tomar um lanche rápido pra poder ensaiar para o culto. O Edú vai tocar violão e eu vou cantar uma música sobre amizade. O Léo nos pediu, para combinar com o tema do acampamento.
Léo era o líder de louvor. Desde que ele chegara na igreja, as coisas haviam mudado para melhor. O novo líder havia dado uma levantada nos ânimos e feito as pessoas se aproximarem de Deus.
Luiza estava com uma calça de moletom azul marinho e sua blusa branca. Ela sempre ficava bem com roupas esportivas, mas hoje ela estava diferente. Sentia-se bem assim, mas, talvez por estar apaixonada, queria se arrumar, passar perfume, se sentir bonita. Acabou passando um gloss, e rímel nos cílios, o que destacou muito seus olhos. Estava bonita. As meninas fizeram o mesmo. Antes de saírem do quarto, olharam umas para as outras com olhares fulminantes e gritaram juntas: ATACAR!!!!
Logo que chegaram ao refeitório, puderam sentir um cheirinho maravilhoso. Estavam realmente cansadas. As costas de Luiza estavam doendo, pois ao imitar o Batman na piscina, se entortou e deu mal jeito. Contudo, estava muito animada para pensar em dor. O acampamento estava sendo como ela queria. Todos brincando juntos, as meninas felizes, Alan olhando-a de vez em quando... Avistou Ricardo sentado sozinho, esperando pelos outros. Não perderia essa oportunidade.
- Posso sentar aqui?
- Claro, Lu. Senta aí.
- Cadê os outros? Você viu a Clau?
- Estão por aí. Não sei.
- Estranho, eu desci do quarto e a vi conversando com o Paulo, depois não a vi mais.
Com o canto dos olhos, Luiza podia ver que Claudia estava observando os dois de longe com vontade de rir. Sabia que Luiza estava aprontando. Claudia percebeu os olhares de Luiza e ficou meio que escondida em uma mesa separada.
- Você acha que... Luiza tinha certeza que Ricardo falaria sobre os sentimentos de Paulo. Seria tão bom para Claudia saber que Paulo também nutria por ela uma paixãozinha.
- Os dois estão juntos? Acho que não.
- Por que não? Acho que os dois se combinam perfeitamente.
- Mas tem o Alan...
- O que tem o Alan?
- Ele está muito a fim da Claudia.
O chão de Luiza caiu. Não podia ser verdade. Como?
- Bom...vou pegar minha bíblia no quarto.
Foi a única coisa que conseguiu falar. Deixou toda a comida no prato. Luiza saiu correndo do refeitório sem falar com ninguém. Não entendia como Alan poderia estar a fim da Cláudia, sendo que ele nunca havia demonstrado nada, pelo menos diante dela.
"Como pode? Não entendo...ele sempre se mostrou tão atencioso comigo...eu pensava que poderia rolar alguma coisa entre nós... eu não vou agüentar vê-lo junto de uma das minhas melhores amigas, não, não vou".

*********

- Ri, você por acaso viu a Lú? - perguntou Mel passando pelo garoto que continuava sentado sozinho.
- Ela tava aqui há pouco tempo, mas disse que ia pegar a Bíblia.
- Eu vou lá. - disse Ana para Mel.
- O esquisito é que ela deixou a comida toda no prato, será que ela foi falar com a Cláudia? Isto que eu chamo de rapidez nas informações. – disse o rapaz dando risada.
- Por que? - perguntou Mel sem entender direito a história. Ricardo explicou todo o ocorrido e, rapidamente, as meninas correram para o quarto. O rapaz havia jogado um verde bonito para cima de Luiza e a garota havia caído como um peixinho.
Ana entrou correndo no quarto chamando Luiza. Logo atrás, vieram as outras amigas para explicar a gracinha de Ricardo.
- Lú, cadê você? Estamos preocupadas lá embaixo atrás de você! - se aproximou da cama da Luiza - Lú, o que aconteceu? – perguntou abraçando a amiga.
- Você não está chorando, está? – perguntou Ana com cautela, porém com um ar de incredulidade.
- Ah, Lú, não fica assim, esses meninos têm sérios problemas. Mesmo o Ricardo... apesar de eu gostar dele, ele foi um tonto agora.
- Gente, ele apenas disse o que se passava, e eu não queria ver. Eu sou uma tonta, acreditei que o Alan pudesse estar a fim de mim.
- Não, não e não. Isto não está certo. Oh, Lú, você é tão inteligente, como pode cair numa dessas, pensa um pouquinho! Na piscina, o Ricardo ficou desnorteado, e ele havia dito que a Clau e o Paulo pareciam cão e gato, mas no fundo se amavam, lembra?
- Lembro.
- E o Alan estava por perto, aliás ele até deu a entender que o Paulo gostava que a Cláudia não largasse do pé dele e depois ajudou o Ri a se safar da conversa. É claro que ele jogou um verde legal para cima de você. E isso foi coisa do Alan, com certeza.
De repente tudo parecia fazer sentido, realmente Mel tinha razão, algo de estranho tinha naquela história. Com certeza Ricardo estava tentando descobrir o que a garota sentia pelo amigo. Poderia até ser um bom sinal. Afinal, se Alan estava interessado em saber dos sentimentos dela, muito provavelmente, ele estaria interessado na garota.
- Que papelão o meu, não? – disse Luiza rindo dela mesma e indo para o banheiro lavar seu rosto.
- Ah, esses meninos!!! Eles que nos aguardem. Se pensam que conseguem nos enganar, eles se enganaram. - disse Ana se olhando no espelho.
- Coitadinhos, mal sabem com quem mexeram. - afirmou Mel.
- Meninas, vamos bolar um plano. Eles me fizeram chorar, agora eu quero saber direitinho de toda essa história.
Desceram para o culto, maravilhoso, por sinal. Luiza ainda se sentia envergonhada por chorar na frente das meninas. Ainda tinha alguma dúvida em relação ao Alan. Será que ele sabia sobre a brincadeira do Ricardo? Que vergonha!
"Ele podia me abraçar, me dar um beijo e dizer que tudo não passou de uma brincadeira, que não queria que eu sofresse,que precisava de mim...”
Ana cantou a música sobre amigos, da qual falara naquela tarde. Luiza sonhava enquanto ela cantava. Depois se sentiu culpada por não prestar atenção na letra, principalmente por saber que quem tinha escrito a letra da música fora Juliana, uma das amigas das Amanas. A Jú sempre escrevia letras maravilhosas.
Depois do culto, todos conversaram animadamente. Alan olhava para Luiza com aquele olhar que congelava. O problema, é que ele a olhava com um ar de quem sabia o que se passava na cabeça dela. Sim... ele sabia da brincadeira de Ricardo.

1 Comments:

Blogger Vinícius Cannone said...

Outro detalhe que combina com as estórias da Robin é esta pureza adolescente que só encontramos mesmo nestes textos, que mesmo lembrando os dela, não deixam de ser originais. Muito interessante e divertido também.

Sunday, January 31, 2010  

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