Capítulo 6
Deram alguns passos em silêncio. A noite estava bem fresca e uma brisa gostosa batia nos cabelos dos dois. Luiza ainda estava com a roupa da dança.
- Desde a minha viagem eu queria te contar uma coisa. Você é a única pessoa com quem me aconteceu isso. Na noite antes da minha viagem, eu tive um sonho com você, e eu posso te afirmar com todas as letras, que isso me fez voltar para os caminhos do Senhor. No meu sonho, eu te via dançando para o Senhor, assim como você fez hoje. Quando você dançava, as pessoas eram curadas e eu sentia um calor no coração. Os seus pés e as suas mãos brilhavam.
Luiza sabia que dançava bem, mas dançar bem não tinha nada a ver com ter unção. Os olhos de Alan se encheram de lágrimas. Luiza se controlou para não chorar.
- Uma noite antes de eu me converter, eu tive o mesmo sonho. E desde então, eu oro muito por você, e hoje, parece que foi mais uma confirmação de Deus. Ele vai te usar ainda mais. Eu tenho certeza disso.
- Nossa! Eu não esperava por isso, Alan. Eu gostei muito. Obrigada por compartilhar essa experiência comigo. Isso edifica muito. Só Deus sabe o quanto eu preciso ouvir uma coisa assim de vez em quando.
Alan cruzou os braços e ficou sorrindo enquanto Luiza falava. Ficaram um tempão conversando e rindo. Alan falou sobre sua família e contou mais histórias da Polinésia.
- Que pena que amanhã a gente já tem que voltar, né?
- Nem me fale, voltar para o trabalho, acordar cedo...
- O bom é que, pelo menos eu amo meu emprego.
- E quem não amaria trabalhar na loja do pai, vendendo prancha?
O pai de Alan tinha uma loja de artigos esportivos. Alan trabalhava lá desde os 15 anos, e agora, estava administrando a loja.
- Eu preferiria estar vendendo mesmo. Dava menos preocupação. Administrar um negócio não é fácil. É uma responsabilidade grande. Ainda mais por ser negócio de família...a gente tem aquele carinho...
- Eu imagino. Eu reclamo, mas eu amo fazer o que eu faço. Me apego com aquelas crianças e fico animada vendo a vontade dos mais velhos em se cuidar. Luiza dava aulas de dança em uma academia. De manhã, ensinava ballet para crianças e durante a tarde, dava aulas de alongamento e outras danças para jovens. A academia era de um irmão da igreja. Era bem grande e arejada. Luiza dava aulas há dois anos. Pôde decorar a sala de aula, da maneira como quis. Era azul clarinha, bem arejada, com fotos de bailarinas, dançarinos de todos os tipos de danças. A sala era muito gostosa. Por um momento, reparou em como ela e Alan eram parecidos no quesito esporte. Os dois tinham o corpo bem definido e gostavam muito de se movimentar.
- Lú, acho que a gente tem que ir. O pessoal já tá indo brincar de feira.
- É melhor mesmo. Não é bom ficarmos sozinhos aqui.
Brincaram até a madrugada. Queriam aproveitar bem a última noite. Foram acampar no interior. Precisariam sair cedo para não chegar muito tarde em Ubatuba.
O dia amanheceu chuvoso. Parecia que o sol sabia que eles iriam embora. O acampamento tinha sido tão gostoso. Luiza estava se sentindo leve. É claro que esperava que Alan tivesse lhe dado um beijo, ou a abraçasse, mas o que tinha ouvido teve um sentido especial para ela. Parecia que os dois estariam mais unidos. Ela era importante para ele e isso era muito bom.
Acordou mais cedo que os outros. Talvez por ser mais esportiva, gostava de coisas saudáveis.
Pegou uma blusa de moletom, colocou na cabeça para escapar da chuvinha leve que caía e correu para a capela. Lá, sentou e orou bastante. Foi um momento maravilhoso. O acampamento seria marcado para ela pela comunhão pessoal com Deus.
Subiu para o refeitório, onde comeu e ficou conversando com as simpáticas senhoras da cozinha. Ficava olhando na direção do quarto dos meninos toda hora, para ver quando Alan acordasse.
- Será que esse menino não vai voltar nunca? - disse a senhora que estava cortando algumas fatias de melão para o café.
- Que menino, D. Ana?
- Ah...olha ele lá...
Alan estava carregando uma enorme sacola e descendo pelo barranco. Sorriu ao ver Luiza, porém Luiza não sorriu tanto assim.
- Ele é um amor, não Luiza? Foi pegar bananas. Queremos servir no café. Com a energia que vocês têm, só com muita banana...
Alan tinha ido pegar as benditas bananas com uma morena linda que tinha ido pela primeira vez ao acampamento da igreja. Luiza sentiu um ciúme louco tomar conta das suas emoções.
"Não acredito. Quando parece que estamos ficando bem..."
- Bom, eu já vou indo...
- Espere para comer as bananas, querida. Sei que você dança e é muito bom para não dar câimbras.
- Ah...D. Ana, muito obrigada, mas já comi bastante.
Algumas horas depois, já estavam dentro do ônibus, todos dormindo. Luiza estava muito cansada. Colocou o walkman e sonhou até chegar em Ubatuba.
As semanas seguintes ao acampamento passaram rapidamente. Todas as sextas-feiras após o expediente, Luiza passava no Amana Beach, depois dava um mergulho, e não seria diferente naquela sexta.
O Amana Beach era um de seus lugares preferido, pois tinha como donas um grupo de amigas, que sempre estavam dispostas a ouvir as histórias de Luiza e a dar conselhos. Luiza admirava a amizade daquelas mulheres, que desde a juventude se conheciam.
- Olha quem está por aqui? - disse Camila uma das sócias do local.
- Oi, Cá, não poderia deixar de passar por aqui hoje, tenho tantas coisas pra contar. - disse Luiza empolgadíssima, pois sabia da torcida das suas amigas do Amana para ela ficar com Alan.
- E aí, como foi acampa? Curtiu muito? E você e o Alan? - perguntou Camila, que mesmo conversando não parava de ajeitar as mesinhas.
- Ai, Cá, cada dia eu me sinto mais apaixonada por ele, ele é tão...
- ...atencioso, simpático e tem umas pernas...
- Como você sabe que eu ia dizer isto? - perguntou Luiza rindo de Camila.
- Até parece que não te conheço. E também quem não percebe seus atributos físicos?
A porta do Amana se abriu e entrou Andréia, a outra sócia,segurando um monte de pacotes.
- Cá, vem me ajudar, as coisas estavam baratas no mercado.- disse Andréia, percebendo que tinha mais uma companhia.
- Luuuuuu, que bom ver você por aqui, tá queimada, hein? - se aproximou mais de Luiza - pelo jeito tava um clima perfeito para você e o Alan.
- Déia, eu fui num acampamento! Não estava namorando na praia...rs...
- Eu sei, e teve o período para se divertir, não teve? – respondeu Déia, dando ênfase no “se divertir”.
- Só vocês... – respondeu Luiza morrendo de rir da entonação da amiga.
Luiza se divertia com as meninas do Amana. Elas eram extrovertidas, animadas, topavam tudo, e acima de tudo, eram comprometidas com as coisas do Senhor. Passaram horas conversando sobre o acampamento, Andréia contou como foi seu primeiro beijo com seu marido, elas também contaram do Festival de Músicas que participaram. Foi um final de tarde muito gostoso. Quando Luiza olhou no relógio não dava mais nem tempo para um mergulho.
Quando chegou em casa havia um recado para ligar para Ana.
- Alô, por favor a Ana.
- Quem gostaria? - perguntou uma voz meio rouca. Luiza reconheceu a voz de D. Marisa, mãe de Ana.
- É a Luiza.
- Oi, Lú, tudo bem, como foi de acampamento?
- Foi bom, irmã. Deu para se divertir bastante.
- É, a Aninha falou que você deu um show de dança.
- Não sei se foi um show, mas acredito que foi uma benção.
- Vou chamar a Ana. Até mais, querida!!!
- Oi, Lú!!! - disse Ana.
- Oi, Aninha, recebi seu recado, que contas de novo?
- Sabe o que é, este fim de semana é o aniversário do Alan, e a galera tá pensando em fazer uma festa lá no Amana, que achas?
Luiza se surpreendeu ao lembrar do aniversário do Alan, havia esquecido completamente.
- Nossaaaaaaa, tinha me esquecido, mas e aí? Conversaram com alguma das meninas, lá no beach? - disse Luiza, meio desapontada com o esquecimento.
- Não, eu liguei justamente pra você ligar, eu tenho que sair agora, e você sabe como lá é movimentado de sábado, temos que garantir mesas.
- É, eu sei, eu acabei de vir de lá, se soubesse... mas eu tenho o número, eu ligo.
Nem bem terminou de falar com Ana, correu para o quarto e pegou o número do Amana Beach.
- Amana Beach, Daniella!!!
- Oi, Dani, é a Lú. - disse Lú feliz por ter sido uma de suas amigas a atender.
- Oi, Lú, tô com saudades, você veio aqui hoje, mas eu não estava, mas pode ficar tranqüila, porque as meninas já me contaram tudo. Mesmo assim depois você me conta maiores detalhes, OK?
- Pode deixar, Dani! Então... eu liguei porque precisava reservar algumas mesas para amanhã. É níver do Alan.
- Ahhhhhhhhh, pode deixar comigo, vou preparar os melhores lugares. Vocês escolheram um bom dia, vai tocar um grupo muito bom, mas é surpresa. - disse Daniella.
- Dani, vocês aí, são demais, nem vou me importar com o que fazer, vocês são ótimas nisso. - disse Luiza, tinha confiança nas meninas pois faziam várias festas na praia, e eram sempre muito boas.
Luiza desligou o telefone e ficou pensando em como Alan iria reagir à festa. Fazia alguns anos que não tinha surpresas feitas pelos seus amigos. Não via a hora de chegar sábado.
**********
O dia estava tão gostoso. Luiza queria ficar deitada até tarde, olhando pela janela de seu quarto, ouvindo o barulho das ondas batendo nas pedras. Olhou para o céu, que estava acinzentado. Amava o calor, mas de vez em quando, gostava desse friozinho. Frequentemente saía para andar na praia com sua mãe, que também gostava desse friozinho. Se demorou um pouco e foi tomar café.
- Oi filha. Demorou pra descer.
- É... minha cama estava tão boa... – respondeu abrindo a geladeira para pegar um copo de iogurte.
- Mãe, hoje vai ser a festa do Alan lá no Amana. As meninas estão arrumando tudo, então eu vou chegar tarde.
- Tá bom... já sabe com que roupa vai?
- Ainda não. A minha calça vermelha está pra passar?
- Está. Quer que eu passe?
- Não mãe, pode deixar que eu passo.
Luiza tinha roupas legais e tudo ficava bem nela. Essa calça vermelha fazia sucesso. Passou o dia se arrumando e ligando para a galera, combinando tudo. Antes de sair, deu uma ligadinha para o Amaná Beach.
- Oi Van, tudo certo aí?
- Tudo Lú. Tá tudo um show aqui, viu? Fizemos uma decoração fantástica. Com esse tempinho ainda... hoje ele não te escapa...
- Sei lá. Nem falei com ele essa semana.
- Bom... deixa as coisas rolarem...Ah! A gente vai dar o bolo de cortesia. Temos um famoso. O bolo gelado "Neiva".
- Que nome estranho...
- É por que quando éramos mais novas, a Neiva sempre levava esse bolo. Em qualquer situação. Era Natal? Dá-lhe bolo gelado. Ano Novo? Mais bolo gelado. Mas, para o Amana Beach, a gente deu uma incrementada.
- Ah é? E como é esse bolo?- Ele é de coco, mas em ocasiões especiais, a gente coloca morango e nozes também.
- Deve ser divino. Bom... às 18hs eu tô aí, tá bom?
- Claro. O pessoal vai chegar junto?
- Acho que sim. Eu vou sozinha, mas as meninas devem estar chegando. Elas iam sair juntas da casa da Ana.
- Então tá. Beijo.
- Outro.
Terminou de se arrumar. Deu uma última olhada no espelho e sorriu. Gostou do que viu. Passou um perfume suave e pegou as chaves do carro.
Ao chegar no Amana Beach notou como o ambiente estava maravilhoso. Em cada mesinha, tinha uma velilha, que deixava o local com um brilho gostoso. Como o tempo estava chuvoso, combinou perfeitamente. As mesinhas eram rústicas e os tijolinhos a vista da parede davam um charme incrível ao local. Comentou com as amigas o quanto as “manas” tinham caprichado. Aos poucos a galera foi chegando.
Luiza viu pela janela que o Pálio vermelho tão esperado estava estacionando. Se ajeitou na cadeira. Tentou disfarçar o sorriso. As meninas a cutucavam por baixo da mesa. Alan estava totalmente maravilhoso. Luiza nunca o tinha visto daquele jeito. Estava com um jeans escuro, que parecia novo e uma camisa branca meio moderna por dentro da calça. Não era muito o estilo dele e Luiza agradeceu a Deus por ter tido o estalo de se arrumar bem também. O cinto era da mesma cor do sapato. Ele estava deslumbrante. Seu cabelo estava ligeiramente molhado pelas gostas da chuva. Quando ele entrou, todos fizeram o maior barulho e foram abraçá-lo. Enquanto abraçava os amigos, olhava pelo recinto, como que a procura de alguém. Quando seus olhos se encontraram com os de Luiza, Alan desviou o olhar. Luiza achou estranho.
"Talvez ele esteja meio sem jeito. Ele sempre me olha fixamente..."
Luiza também foi abraçá-lo. Ele estava nitidamente sem jeito com ela.
- Está tudo bem?
- Tá. - respondeu Alan. Abaixou a cabeça e foi se sentar.
"Esse cara tá muito estranho. Por que raios que ele sentou na mesa mais distante da minha? Ele viu onde eu estava."
Começaram a fazer os pedidos. Estava tudo muito bom, mas Luiza se sentia incomodada com o jeito de Alan. Paulo chegou um pouco depois acompanhado da morena que havia visitado o acampamento. Luiza se lembrou que lá, os dois tinham ido pegar bananas juntos. Cumprimentou os dois com um sorriso sem graça, enquanto observava os dois se dirigindo para a mesa em que Alan estava.
Deram os parabéns para Alan, mas Amanda deu um abraço demorado. Os dois sorriam bastante uma para o outro. Ficaram em pé conversando por uns segundos e se sentaram um do lado do outro. Todas as meninas se olharam.
- Se o que eu estou pensando estiver realmente acontecendo, eu mato o Paulo - Claudia disse enquanto sorria disfarçando a surpresa.
- Deixa pra lá, Clau. Ele deve estar saindo com ela, ou alguma coisa assim. Ele tá muito diferente comigo.- Luiza tentava disfarçar a decepção também.
Logo que Alan e Amanda se sentaram, Alan olhou para Luiza. Ela também estava olhando-o. Virou rápido a cabeça.
"Não acredito que ele me viu olhar"
Luiza preferiu não mostrar que estava triste, mas, ao contrário, resolveu chamar a atenção para si, fazendo brincadeiras e falando alto, embora estivesse com uma dor no coração que apertava cada vez mais. Logo depois de partirem o bolo, Luiza se sentou um pouco. Estava cansada de mostrar uma outra coisa que não estava sentindo. Nunca fazia isso. Era sempre muito sincera com ela mesma e com os outros. Não ficava tentando esconder seus sentimentos.
- Camila, tira uma foto nossa, vai? - gritou Amanda andando em direção a um espaço vazio, onde tinha um quadro maravilhoso. As pessoas costumavam tirar fotos lá. Camila deu uma olhadinha para Luiza. Sorriu e se virou.
"O que será que a Camila vai aprontar? Essas meninas sempre aprontam..." Luiza sorriu ao pensar nisso. As "Manas" contavam muitas histórias de quando eram mais jovens. Luiza sempre dava muita risada.
- Claro que tiro. Não tiro muito bem, mas vamos lá.
- Ai...espera...deixa eu arrumar meu cabelo...
Alan olhava sem parar para Luiza, que também o olhava com um ligeiro ar de reprovação.
- Vamos lá. Está pronta?
- Sim. Pode tirar.
- Olha o passarinho....CLIC!
- Desde a minha viagem eu queria te contar uma coisa. Você é a única pessoa com quem me aconteceu isso. Na noite antes da minha viagem, eu tive um sonho com você, e eu posso te afirmar com todas as letras, que isso me fez voltar para os caminhos do Senhor. No meu sonho, eu te via dançando para o Senhor, assim como você fez hoje. Quando você dançava, as pessoas eram curadas e eu sentia um calor no coração. Os seus pés e as suas mãos brilhavam.
Luiza sabia que dançava bem, mas dançar bem não tinha nada a ver com ter unção. Os olhos de Alan se encheram de lágrimas. Luiza se controlou para não chorar.
- Uma noite antes de eu me converter, eu tive o mesmo sonho. E desde então, eu oro muito por você, e hoje, parece que foi mais uma confirmação de Deus. Ele vai te usar ainda mais. Eu tenho certeza disso.
- Nossa! Eu não esperava por isso, Alan. Eu gostei muito. Obrigada por compartilhar essa experiência comigo. Isso edifica muito. Só Deus sabe o quanto eu preciso ouvir uma coisa assim de vez em quando.
Alan cruzou os braços e ficou sorrindo enquanto Luiza falava. Ficaram um tempão conversando e rindo. Alan falou sobre sua família e contou mais histórias da Polinésia.
- Que pena que amanhã a gente já tem que voltar, né?
- Nem me fale, voltar para o trabalho, acordar cedo...
- O bom é que, pelo menos eu amo meu emprego.
- E quem não amaria trabalhar na loja do pai, vendendo prancha?
O pai de Alan tinha uma loja de artigos esportivos. Alan trabalhava lá desde os 15 anos, e agora, estava administrando a loja.
- Eu preferiria estar vendendo mesmo. Dava menos preocupação. Administrar um negócio não é fácil. É uma responsabilidade grande. Ainda mais por ser negócio de família...a gente tem aquele carinho...
- Eu imagino. Eu reclamo, mas eu amo fazer o que eu faço. Me apego com aquelas crianças e fico animada vendo a vontade dos mais velhos em se cuidar. Luiza dava aulas de dança em uma academia. De manhã, ensinava ballet para crianças e durante a tarde, dava aulas de alongamento e outras danças para jovens. A academia era de um irmão da igreja. Era bem grande e arejada. Luiza dava aulas há dois anos. Pôde decorar a sala de aula, da maneira como quis. Era azul clarinha, bem arejada, com fotos de bailarinas, dançarinos de todos os tipos de danças. A sala era muito gostosa. Por um momento, reparou em como ela e Alan eram parecidos no quesito esporte. Os dois tinham o corpo bem definido e gostavam muito de se movimentar.
- Lú, acho que a gente tem que ir. O pessoal já tá indo brincar de feira.
- É melhor mesmo. Não é bom ficarmos sozinhos aqui.
Brincaram até a madrugada. Queriam aproveitar bem a última noite. Foram acampar no interior. Precisariam sair cedo para não chegar muito tarde em Ubatuba.
O dia amanheceu chuvoso. Parecia que o sol sabia que eles iriam embora. O acampamento tinha sido tão gostoso. Luiza estava se sentindo leve. É claro que esperava que Alan tivesse lhe dado um beijo, ou a abraçasse, mas o que tinha ouvido teve um sentido especial para ela. Parecia que os dois estariam mais unidos. Ela era importante para ele e isso era muito bom.
Acordou mais cedo que os outros. Talvez por ser mais esportiva, gostava de coisas saudáveis.
Pegou uma blusa de moletom, colocou na cabeça para escapar da chuvinha leve que caía e correu para a capela. Lá, sentou e orou bastante. Foi um momento maravilhoso. O acampamento seria marcado para ela pela comunhão pessoal com Deus.
Subiu para o refeitório, onde comeu e ficou conversando com as simpáticas senhoras da cozinha. Ficava olhando na direção do quarto dos meninos toda hora, para ver quando Alan acordasse.
- Será que esse menino não vai voltar nunca? - disse a senhora que estava cortando algumas fatias de melão para o café.
- Que menino, D. Ana?
- Ah...olha ele lá...
Alan estava carregando uma enorme sacola e descendo pelo barranco. Sorriu ao ver Luiza, porém Luiza não sorriu tanto assim.
- Ele é um amor, não Luiza? Foi pegar bananas. Queremos servir no café. Com a energia que vocês têm, só com muita banana...
Alan tinha ido pegar as benditas bananas com uma morena linda que tinha ido pela primeira vez ao acampamento da igreja. Luiza sentiu um ciúme louco tomar conta das suas emoções.
"Não acredito. Quando parece que estamos ficando bem..."
- Bom, eu já vou indo...
- Espere para comer as bananas, querida. Sei que você dança e é muito bom para não dar câimbras.
- Ah...D. Ana, muito obrigada, mas já comi bastante.
Algumas horas depois, já estavam dentro do ônibus, todos dormindo. Luiza estava muito cansada. Colocou o walkman e sonhou até chegar em Ubatuba.
As semanas seguintes ao acampamento passaram rapidamente. Todas as sextas-feiras após o expediente, Luiza passava no Amana Beach, depois dava um mergulho, e não seria diferente naquela sexta.
O Amana Beach era um de seus lugares preferido, pois tinha como donas um grupo de amigas, que sempre estavam dispostas a ouvir as histórias de Luiza e a dar conselhos. Luiza admirava a amizade daquelas mulheres, que desde a juventude se conheciam.
- Olha quem está por aqui? - disse Camila uma das sócias do local.
- Oi, Cá, não poderia deixar de passar por aqui hoje, tenho tantas coisas pra contar. - disse Luiza empolgadíssima, pois sabia da torcida das suas amigas do Amana para ela ficar com Alan.
- E aí, como foi acampa? Curtiu muito? E você e o Alan? - perguntou Camila, que mesmo conversando não parava de ajeitar as mesinhas.
- Ai, Cá, cada dia eu me sinto mais apaixonada por ele, ele é tão...
- ...atencioso, simpático e tem umas pernas...
- Como você sabe que eu ia dizer isto? - perguntou Luiza rindo de Camila.
- Até parece que não te conheço. E também quem não percebe seus atributos físicos?
A porta do Amana se abriu e entrou Andréia, a outra sócia,segurando um monte de pacotes.
- Cá, vem me ajudar, as coisas estavam baratas no mercado.- disse Andréia, percebendo que tinha mais uma companhia.
- Luuuuuu, que bom ver você por aqui, tá queimada, hein? - se aproximou mais de Luiza - pelo jeito tava um clima perfeito para você e o Alan.
- Déia, eu fui num acampamento! Não estava namorando na praia...rs...
- Eu sei, e teve o período para se divertir, não teve? – respondeu Déia, dando ênfase no “se divertir”.
- Só vocês... – respondeu Luiza morrendo de rir da entonação da amiga.
Luiza se divertia com as meninas do Amana. Elas eram extrovertidas, animadas, topavam tudo, e acima de tudo, eram comprometidas com as coisas do Senhor. Passaram horas conversando sobre o acampamento, Andréia contou como foi seu primeiro beijo com seu marido, elas também contaram do Festival de Músicas que participaram. Foi um final de tarde muito gostoso. Quando Luiza olhou no relógio não dava mais nem tempo para um mergulho.
Quando chegou em casa havia um recado para ligar para Ana.
- Alô, por favor a Ana.
- Quem gostaria? - perguntou uma voz meio rouca. Luiza reconheceu a voz de D. Marisa, mãe de Ana.
- É a Luiza.
- Oi, Lú, tudo bem, como foi de acampamento?
- Foi bom, irmã. Deu para se divertir bastante.
- É, a Aninha falou que você deu um show de dança.
- Não sei se foi um show, mas acredito que foi uma benção.
- Vou chamar a Ana. Até mais, querida!!!
- Oi, Lú!!! - disse Ana.
- Oi, Aninha, recebi seu recado, que contas de novo?
- Sabe o que é, este fim de semana é o aniversário do Alan, e a galera tá pensando em fazer uma festa lá no Amana, que achas?
Luiza se surpreendeu ao lembrar do aniversário do Alan, havia esquecido completamente.
- Nossaaaaaaa, tinha me esquecido, mas e aí? Conversaram com alguma das meninas, lá no beach? - disse Luiza, meio desapontada com o esquecimento.
- Não, eu liguei justamente pra você ligar, eu tenho que sair agora, e você sabe como lá é movimentado de sábado, temos que garantir mesas.
- É, eu sei, eu acabei de vir de lá, se soubesse... mas eu tenho o número, eu ligo.
Nem bem terminou de falar com Ana, correu para o quarto e pegou o número do Amana Beach.
- Amana Beach, Daniella!!!
- Oi, Dani, é a Lú. - disse Lú feliz por ter sido uma de suas amigas a atender.
- Oi, Lú, tô com saudades, você veio aqui hoje, mas eu não estava, mas pode ficar tranqüila, porque as meninas já me contaram tudo. Mesmo assim depois você me conta maiores detalhes, OK?
- Pode deixar, Dani! Então... eu liguei porque precisava reservar algumas mesas para amanhã. É níver do Alan.
- Ahhhhhhhhh, pode deixar comigo, vou preparar os melhores lugares. Vocês escolheram um bom dia, vai tocar um grupo muito bom, mas é surpresa. - disse Daniella.
- Dani, vocês aí, são demais, nem vou me importar com o que fazer, vocês são ótimas nisso. - disse Luiza, tinha confiança nas meninas pois faziam várias festas na praia, e eram sempre muito boas.
Luiza desligou o telefone e ficou pensando em como Alan iria reagir à festa. Fazia alguns anos que não tinha surpresas feitas pelos seus amigos. Não via a hora de chegar sábado.
**********
O dia estava tão gostoso. Luiza queria ficar deitada até tarde, olhando pela janela de seu quarto, ouvindo o barulho das ondas batendo nas pedras. Olhou para o céu, que estava acinzentado. Amava o calor, mas de vez em quando, gostava desse friozinho. Frequentemente saía para andar na praia com sua mãe, que também gostava desse friozinho. Se demorou um pouco e foi tomar café.
- Oi filha. Demorou pra descer.
- É... minha cama estava tão boa... – respondeu abrindo a geladeira para pegar um copo de iogurte.
- Mãe, hoje vai ser a festa do Alan lá no Amana. As meninas estão arrumando tudo, então eu vou chegar tarde.
- Tá bom... já sabe com que roupa vai?
- Ainda não. A minha calça vermelha está pra passar?
- Está. Quer que eu passe?
- Não mãe, pode deixar que eu passo.
Luiza tinha roupas legais e tudo ficava bem nela. Essa calça vermelha fazia sucesso. Passou o dia se arrumando e ligando para a galera, combinando tudo. Antes de sair, deu uma ligadinha para o Amaná Beach.
- Oi Van, tudo certo aí?
- Tudo Lú. Tá tudo um show aqui, viu? Fizemos uma decoração fantástica. Com esse tempinho ainda... hoje ele não te escapa...
- Sei lá. Nem falei com ele essa semana.
- Bom... deixa as coisas rolarem...Ah! A gente vai dar o bolo de cortesia. Temos um famoso. O bolo gelado "Neiva".
- Que nome estranho...
- É por que quando éramos mais novas, a Neiva sempre levava esse bolo. Em qualquer situação. Era Natal? Dá-lhe bolo gelado. Ano Novo? Mais bolo gelado. Mas, para o Amana Beach, a gente deu uma incrementada.
- Ah é? E como é esse bolo?- Ele é de coco, mas em ocasiões especiais, a gente coloca morango e nozes também.
- Deve ser divino. Bom... às 18hs eu tô aí, tá bom?
- Claro. O pessoal vai chegar junto?
- Acho que sim. Eu vou sozinha, mas as meninas devem estar chegando. Elas iam sair juntas da casa da Ana.
- Então tá. Beijo.
- Outro.
Terminou de se arrumar. Deu uma última olhada no espelho e sorriu. Gostou do que viu. Passou um perfume suave e pegou as chaves do carro.
Ao chegar no Amana Beach notou como o ambiente estava maravilhoso. Em cada mesinha, tinha uma velilha, que deixava o local com um brilho gostoso. Como o tempo estava chuvoso, combinou perfeitamente. As mesinhas eram rústicas e os tijolinhos a vista da parede davam um charme incrível ao local. Comentou com as amigas o quanto as “manas” tinham caprichado. Aos poucos a galera foi chegando.
Luiza viu pela janela que o Pálio vermelho tão esperado estava estacionando. Se ajeitou na cadeira. Tentou disfarçar o sorriso. As meninas a cutucavam por baixo da mesa. Alan estava totalmente maravilhoso. Luiza nunca o tinha visto daquele jeito. Estava com um jeans escuro, que parecia novo e uma camisa branca meio moderna por dentro da calça. Não era muito o estilo dele e Luiza agradeceu a Deus por ter tido o estalo de se arrumar bem também. O cinto era da mesma cor do sapato. Ele estava deslumbrante. Seu cabelo estava ligeiramente molhado pelas gostas da chuva. Quando ele entrou, todos fizeram o maior barulho e foram abraçá-lo. Enquanto abraçava os amigos, olhava pelo recinto, como que a procura de alguém. Quando seus olhos se encontraram com os de Luiza, Alan desviou o olhar. Luiza achou estranho.
"Talvez ele esteja meio sem jeito. Ele sempre me olha fixamente..."
Luiza também foi abraçá-lo. Ele estava nitidamente sem jeito com ela.
- Está tudo bem?
- Tá. - respondeu Alan. Abaixou a cabeça e foi se sentar.
"Esse cara tá muito estranho. Por que raios que ele sentou na mesa mais distante da minha? Ele viu onde eu estava."
Começaram a fazer os pedidos. Estava tudo muito bom, mas Luiza se sentia incomodada com o jeito de Alan. Paulo chegou um pouco depois acompanhado da morena que havia visitado o acampamento. Luiza se lembrou que lá, os dois tinham ido pegar bananas juntos. Cumprimentou os dois com um sorriso sem graça, enquanto observava os dois se dirigindo para a mesa em que Alan estava.
Deram os parabéns para Alan, mas Amanda deu um abraço demorado. Os dois sorriam bastante uma para o outro. Ficaram em pé conversando por uns segundos e se sentaram um do lado do outro. Todas as meninas se olharam.
- Se o que eu estou pensando estiver realmente acontecendo, eu mato o Paulo - Claudia disse enquanto sorria disfarçando a surpresa.
- Deixa pra lá, Clau. Ele deve estar saindo com ela, ou alguma coisa assim. Ele tá muito diferente comigo.- Luiza tentava disfarçar a decepção também.
Logo que Alan e Amanda se sentaram, Alan olhou para Luiza. Ela também estava olhando-o. Virou rápido a cabeça.
"Não acredito que ele me viu olhar"
Luiza preferiu não mostrar que estava triste, mas, ao contrário, resolveu chamar a atenção para si, fazendo brincadeiras e falando alto, embora estivesse com uma dor no coração que apertava cada vez mais. Logo depois de partirem o bolo, Luiza se sentou um pouco. Estava cansada de mostrar uma outra coisa que não estava sentindo. Nunca fazia isso. Era sempre muito sincera com ela mesma e com os outros. Não ficava tentando esconder seus sentimentos.
- Camila, tira uma foto nossa, vai? - gritou Amanda andando em direção a um espaço vazio, onde tinha um quadro maravilhoso. As pessoas costumavam tirar fotos lá. Camila deu uma olhadinha para Luiza. Sorriu e se virou.
"O que será que a Camila vai aprontar? Essas meninas sempre aprontam..." Luiza sorriu ao pensar nisso. As "Manas" contavam muitas histórias de quando eram mais jovens. Luiza sempre dava muita risada.
- Claro que tiro. Não tiro muito bem, mas vamos lá.
- Ai...espera...deixa eu arrumar meu cabelo...
Alan olhava sem parar para Luiza, que também o olhava com um ligeiro ar de reprovação.
- Vamos lá. Está pronta?
- Sim. Pode tirar.
- Olha o passarinho....CLIC!

3 Comments:
estou louca pra ler os próximos capítulos!!
por favor, naum me matem de curiosidade!! hauehauehaue
ahH... soh uma pergunta, o q eh exatamente o AMANA? fiquei meio sem entender.. eh um clube?
beijinhosss
fikem com Deus!!
Então... AMANA é um grupo que eu e umas amigas formamos. No começo, a gente participava na igreja, cantando em festivais de músicas inéditas. Depois, entendemos que o Senhor queria q cantáessemos e fizessemos trabalhos fora da igreja. Então, hj, cantamos em hospitais, asilos, orfanatos...
AMANA quer dizer firmeza.
As meninas que aparecem no AMANA Beach são todas integrantes do grupo..rs..
Está mesmo muito bom. Vamos ver como vai ser o desfecho.
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